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[Literatura] Humanismo

     O período conhecido na literatura portuguesa como Humanismo ocorre quando Portugal passa a cultivar os modelos renascentistas, e uma de suas principais marcas é a gradual substituição do teocentrismo (Deus é o centro de tudo) pelo antropocentrismo (O homem é o centro de tudo).
      Era um momento fértil para as artes, no qual se originaram o teatro popular (teatro leigo, que é praticado fora da igreja), e a poesia ganha novas características (É chamada de Poesia Palaciana, pois era criada e declamada nos palácios, para o entretenimento da nobreza. Ela foi desvinculada do canto e da dança e passou a ser elaborada com ritmo, musicalidade e métrica bem acentuados).


     Métrica - É constituida das sílabas métricas, ou poéticas, que são contadas diferentemente das sílabas gramaticais. Na Poesia Palaciana, eram comuns a redondilha menor (5 sílabas métricas) e a redondilha maior (7 sílabas métricas).


     O teatro de Gil Vicente - É caracterizado pela sátira ao comportamento de todas as camadas sociais: a nobreza, o clero e o povo. Os personagens do teatro vicentino formam uma riquíssima galeria de tipos humanos: o velho apaixonado que se deixa roubar, a alcoviteira (arruma marido para moças jovens), a velha beata, o sapateiro que rouba o povo, o escudeiro fanfarrão, o médico incompetente, o judeu ganancioso, o fidalgo (título de nobreza português) decadente (hoje em dia é nobre mas nem tanto), a mulher adúltera (que dá chifre nos homens), o padre corrupto.
     É importante salientar que existiam características medievais típicas no teatro de Gil Vicente, mas também existiam características humanistas, como a presença de figuras mitológicas, a condenação à perseguição aos judeus e cristãos-novos (judeus e muçulmanos convertidos ao cristianismo), a crítica social.

Auto - Designação genérica (definição geral) para textos poéticos (normalmente em redondilhas) criados no final da Idade Média para representações teatrais

Auto da barca do inferno - Se passa em um porto com duas barcas, uma leva ao inferno e a outra ao paraíso, uma guiada por um diabo e a outra por um anjo, sendo eles que escolhem quem entra em suas barcas. Vários personagens são julgados se devem ir ao paraíso ou ao inferno, sendo que aqueles presentes na galeria de tipos humanos vão ao inferno, enquanto cavaleiros (que lutaram e morreram pelo cristianismo), parvo (tolo e inocente, que vivia de forma simples) vão para o paraíso. O judeu é um caso complicado, pois nem o anjo ou o diabo o quer em sua barca. O anjo não o leva pois o judeu é acusado de não aceitar o cristianismo, e o diabo o leva, mas rebocado e fora da barca. Essa é uma crítica ao movimento que acontecia na época, em que muitos judeus foram expulsos de Portugal e os que ficaram deveriam se converter.

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